O número de espécies de abelhas selvagens na Europa classificadas como em risco de extinção mais que dobrou na última década, de acordo com novos estudos científicos para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
O relatório, divulgado neste sábado (11), revela a crescente ameaça aos polinizadores cruciais do continente, destacando que pelo menos 172 espécies de abelhas (de um total de 1.928) estão agora ameaçadas de extinção na Europa.
A situação é igualmente alarmante para as borboletas, cujo número de espécies ameaçadas quase dobrou, passando de 37 para 65 desde o último estudo, realizado há 14 anos. Uma espécie, a borboleta-branca-grande-da-Madeira (Pieris wollastoni), foi declarada oficialmente extinta.
Principais Causas do Declínio:
O rápido declínio é atribuído a uma combinação de fatores, com destaque para a ação humana e as mudanças climáticas:
- Destruição e Danos ao Habitat: Causados principalmente pela intensificação agrícola, abandono de terras, drenagem de zonas húmidas e excesso de pastoreio.
- Uso de Produtos Químicos: O uso de fertilizantes e pesticidas, incluindo os neonicotinoides, continua a ser uma ameaça significativa.
- Aquecimento Global: A crise climática é uma ameaça crescente, sendo o fator principal para o risco de 52% das borboletas europeias em perigo — o dobro de uma década atrás. Espécies que habitam o topo de montanhas e as regiões do Círculo Polar Ártico estão particularmente vulneráveis.
Impacto na Biodiversidade:
Segundo o Dr. Denis Michez, coordenador-chefe da avaliação das abelhas selvagens, até 90% das plantas com flores na Europa dependem da polinização animal. A perda de abelhas selvagens ameaça, consequentemente, a sobrevivência de muitas plantas nativas.
A Dra. Grethel Aguilar, diretora-geral da IUCN, enfatizou a importância desses insetos: “Além de sua beleza e significado cultural, polinizadores como abelhas e borboletas são tábuas de salvação para nossa saúde, nossos sistemas alimentares e nossas economias – sustentando as frutas, vegetais e sementes que nos nutrem.”
O relatório visa aumentar a pressão sobre os estados-membros da União Europeia (UE) para cumprirem a legislação de restauração da natureza da UE, que exige que os países revertam o declínio dos polinizadores até 2030.
Fonte: theguardian