A China inaugurou a Ponte do Cânion Huajiang (Huajiang Grand Canyon Bridge) em 28 de setembro de 2025, na província de Guizhou, estabelecendo um novo recorde mundial como a ponte mais alta do planeta, elevando-se a 625 metros sobre o Rio Beipan. No entanto, o monumental feito de engenharia — que reduz o tempo de travessia do cânion de mais de uma hora para apenas um minuto — vem acompanhado de controvérsias financeiras e questões sobre a sustentabilidade do projeto.
O Custo da Grandiosidade
Com um custo relatado de mais de 2 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,5 bilhão), a Ponte Huajiang é o mais recente símbolo da política chinesa de impulsionar o desenvolvimento e o turismo em regiões remotas através de megaestruturas. A obra, que levou três anos para ser concluída, tem como objetivo revitalizar a província de Guizhou, uma das mais pobres e isoladas do país devido ao seu relevo acidentado.
Apesar dos benefícios evidentes em mobilidade e potencial turístico, com a ponte projetada para abrigar um mirante de vidro e instalações para esportes radicais, o projeto é considerado controverso.
Dívida Pública e Sinais de Alerta
Guizhou, que já é conhecida como o “museu das pontes do mundo” por abrigar a maioria das pontes mais altas do planeta, possui uma alta taxa de endividamento provincial. A construção de infraestruturas caras como a Ponte Huajiang levanta preocupações sobre o agravamento dessa dívida, em um momento em que as autoridades centrais chinesas buscam desacelerar o endividamento local.
A inauguração da ponte, portanto, representa um dilema:
- De um lado: Uma impressionante demonstração de capacidade técnica e uma promessa de desenvolvimento regional.
- Do outro: A preocupação sobre a sustentabilidade financeira, com megaprojetos servindo de “motor” para o crescimento econômico, mas potencialmente adicionando bilhões de yuans a uma dívida já pesada.
Bases Estruturais em Solo Cárstico
A notícia que circulou mencionava preocupações sobre “bases instáveis”, um desafio de engenharia comum em Guizhou. A província é conhecida por sua topografia cárstica, caracterizada por rochas calcárias com cavernas e formações geológicas complexas que dificultam a fixação de estruturas.
No entanto, a mídia estatal chinesa e relatos de engenharia destacaram a superação desses obstáculos e a robustez da estrutura. A ponte, uma suspensa de treliça de aço com 2.890 metros de extensão, passou por um teste de carga bem-sucedido em agosto, onde 96 caminhões, pesando um total de 3,3 mil toneladas, foram utilizados para verificar sua integridade estrutural.
Apesar das garantias oficiais de segurança, o debate sobre o custo-benefício e o risco fiscal da incessante construção de megaprojetos na China permanece aceso.
A Ponte Huajiang é um triunfo da engenharia, mas levanta uma questão crucial: qual o limite para o investimento em infraestrutura quando o endividamento provincial está em alta?